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Missão Francesa – Escultura

Posted in 1816 - Missão Francesa No Brasil on maio 14, 2009 by Publicidade e Propaganda - Na1 - Artes Plásticas

Reagindo contra a frivolidade e decorativismo do Rococó, a escultura neoclássica inspirou-se na antiga tradição greco-romana, adotando princípios de ordem, clareza, austeridade, equilíbrio e propósito, com um fundo moralizante.

Escultura, definitivamente não era o forte da Missão Francesa, não achamos nenhum retrato de escultor, abaixo, algumas imagens de esculturas feitas por  Auguste-Marie Taunay (1768 – 1824)

auguste taunay 01

General Lasalle – em 1812 – Mármore

auguste taunay 02

Busto de Camões  – Sem data – Em Bronze, Hoje no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (Rio de Janeiro, RJ)

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Missão Francesa – Arquitetura

Posted in 1816 - Missão Francesa No Brasil on maio 14, 2009 by Publicidade e Propaganda - Na1 - Artes Plásticas

A Arquitetura na Missão Francesa foi Neoclássica, caracterizada pois passaram a rejeitar a religiosidade intensa da estética anterior e o exagero luxuriante do barroco. Buscava-se uma síntese espacial e formal mais racional e objetiva, adotaram-se também novas técnicas e novos materiais.

Apontaremos um arquiteto em detasque na Missão Francesa no Brasil, Auguste Henri Victor Grandjean de Montigny.

Montigny

MONTIGNY

 

 

 Retrato de Grandjean de Montigny pintado cerca de 1843 pelo alemão Augusto Müller.

 

Grandjean de Montigny nasceu a 15 de julho de 1776 em Paris. Foi excelente estudante de arquitetura e, em 1799, ganhou o prestigioso Prix de Rome, o mais importante da arte nesse momento.

No Brasil projetou a Academia Imperial de Belas Artes, a Candelária e para sua residência particular construiu a

Gávea mas o mais importante foi a Praça do Comércio do Rio de Janeiro . Grandjean formou muitos novos profissionais que souberam dar ao Brasil uma linguagem arquitetônica moderna. Entre seus alunos contam-se os brasileiros José Maria Jacinto Rebelo e Teodoro de Oliveira e os portugueses Joaquim Cândido Guilhobel, Domingos Monteiro e Francisco José Béthencourt da Silva, que de fato introuziram o neoclássico no Brasil.

Façada principal da Praça do Comércio (1819-1820), atualmente Casa França-Brasil.MONTIGNY 01

Fachada principal da Praça do Comércio (1819-1820), atualmente Casa França-Brasil.

Missão Francesa – Pintura

Posted in 1816 - Missão Francesa No Brasil on maio 14, 2009 by Publicidade e Propaganda - Na1 - Artes Plásticas

Como estamos falando de artes plásticas, dividiremos em seus setores mais importantes para falar de seus artistas e seus feitos durante a passagem pelo Brasil.

Na Pintura, temos Jean Baptiste Debret  e Nicolas-Antoine Taunay  como destaque.

Não falaremos sobre a história inteira dos artistas, e sim de suas passagens pelo Brasil que é o que nos interessa 🙂

Debret

Debret auto retrato
 Ao lado Debret, em auto retrato.
Iniciou sua vida profissional em Paris, sob a influência de Jacques-Louis David. Integrando a Missão chefiada por Lebreton, ficou no Brasil entre 1816 e 1831, dedicando-se à pintura e ao magistério artístico.Em sua passagem pelo Brasil, Debret se diferenciou de de outros artistas, primeiramente por suas pinturas que retratavam o povo brasileiro e seus costumes, principalmente escravos, índios e negros em cenas do dia-a-dia, e não só isso, Debret procurou resgatar particularidades do país e do povo. Utilizou o termo “pitoresco” com a ideologia de precisão, habilidade, talento, e qualidade artística em representar e preservar o passado de nosso  povo.      
                

negra

Negra Vendendo Caju – 1827

 QUADRO

Índios Atravessando um Riacho (O Caçador de Escravos) – 1820-1830 – Em exposição no Masp 

 

 

Taunay

Taunay auto retrato

 

Ao lado, Taunay em auto retrato.

Nascido em Paris em 10 de fevereiro de 1755. Revelando com precocidade o seu natural pendor para a arte, aos 13 anos de idade já estudava no ateliê de Lepicié, passando pouco tempo depois a estudar com Brenet.

Aqui (no Brasil) chegou, juntamente com os demais compatriotas, a 26 de março de 1816, tendo embarcado no Havre a 22 de janeiro do mesmo ano. “Desde o dia do desembarque, fascinado pela beleza da paisagem fluminense, apaixonado ardente do sol glorioso das terras da Guanabara, tratou Nicolau Antônio de instalar-se em algum recanto das cercanias da cidade, onde estivesse em íntimo contato com a natureza estupenda.”

 Taunay 01

 Vista do Outeiro, Praia e Igreja da Glória (1817) – Museus Castro Maya – IPHAN/MinC – Rio de Janeiro

 

Taunay 02

                        Largo da Carioca (1816), Museu Nacional de Belas Artes – Rio de Janeiro                              

Missão Francesa no Brasil – Quando a Arte Francesa chegou aqui.

Posted in 1816 - Missão Francesa No Brasil on maio 14, 2009 by Publicidade e Propaganda - Na1 - Artes Plásticas

Abordaremos um tema em nosso blog, para que haja entendimento de onde começou a influência francesa na arte do Brasil , afinal, só sabemos para onde vamos quando descobrir-mos de onde viemos 😉

Esse tema, como já diz o título, é a Missão Francesa no Brasil , que aconteceu no em nosso país no século XIX quando nem os integrantes desse grupo, e nem a professora Sandra sonhávamos em existir.

 

Porque essa Missão aconteceu?

No início do século XIX, os exércitos de Napoleão Bonaparte invadiram Portugal , obrigando D. João VI (rei de Portugal), sua família e sua corte (nobres, artistas, empregados, etc.) a virem para o Brasil.
D. João VI, preocupado com o desenvolvimento cultural, trouxe para cá material para montar a primeira gráfica brasileira, onde foram impressos diversos livros e um jornal chamado A Gazeta do Rio de Janeiro. Nesse momento, o Brasil recebe forte influência cultural européia, intensificada ainda mais com a chegada de um grupo de artistas franceses (1816) encarregado da fundação da Academia de Belas Artes (1826), na qual os alunos poderiam aprender as artes e os ofícios artísticos. Esse grupo ficou conhecido como Missão Artística Francesa. Os artistas pintavam, desenhavam, esculpiam e construíam à moda européia. Obedeciam ao estilo neoclássico (novo clássico), ou seja, um estilo artístico que propunha a volta aos padrões da arte clássica (greco-romana) da Antigüidade.

Os componentes da Missão eram :

Integrantes da Missão

leberton

Joachim Lebreton por Charles-Victor Normand em 1891

-Joachim Lebreton – o líder do grupo

-Jean Baptiste Debret  – pintor histórico

– Nicolas-Antoine Taunay  – pintor de paisagens e de batalhas

– Auguste Henri Victor Grandjean de Montigny – arquiteto

– Charles de Lavasseur – arquiteto

– Louis Ueier – arquiteto

– Auguste Marie Taunay  – escultor

– François Bonrepos – escultor

– Charles-Simon Pradier  – gravador

– François Ovide – mecânico

– Jean Baptiste Leve – ferreiro

– Nicolas Magliori Enout – serralheiro

– Pelite – peleteiro

– Fabre – peleteiro

– Louis Jean Roy – carpinteiro

– Hypolite Roy – carpinteiro

– Félix Taunay  – jovem aprendiz 

– Marc Ferrez – escultor (tio do fotógrafo Marc Ferrez)

– Zéphyrin Ferrez – gravador de medalhas

Nota-se que o conjunto era formado por artistas de diversos tipos, para caracterizar bem o que é arte plástica.

Como funcionou a Missão?

Lebreton (o líder) criou a Escola de Belas Artes que seguia a metodologia abaixo:

escola

Escola de Belas Artes - 1891

-Desenho geral e cópia de modelos dos mestres, para todos os alunos;
– Desenho de vultos e da natureza, e elementos de modelagem para os escultores;
– Pintura acadêmica com modelo vivo para pintores; escultura com modelo vivo para escultores, e estudo no atelier de mestres gravadores e mestres desenhistas para os alunos destas especialidades. 

em arquitetura:

na parte teórica:
– História da arquitetura através de estudo dos antigos;
– Construção e perspectiva;
– Estereotomia. 
na prática:  
– Desenho;
– Cópia de modelos e estudo de dimensões;
– Composição.

Nem tudo foi fácil para os franceses

Obviamente os artistas que dominavam o cenário de arte brasileiro não gostaram nada que os franceses chegassem com um novo estilo de arte, o neoclássico, até porque os artistas daqui ainda estavam no barroco, e tanto a Rainha D. Maria, como o Conde da Barca que apoiavam a Missão Francesa faleceram assim que os artista chegaram, o que causou grande problemas aos mesmos, nem o conselho da França no Brasil apoiava os artistas aqui, e até que a escola conseguisse, de fato, se firmar os artistas passaram por situações difíceis, Tauney por exemplo não aguentou e voltou a França, mas foi substituído pelo seu filho e só depois de 10 anos ( isso mesmo, DEZ anos)  em 5 /11/1826 foi inaugurada a Academia Imperial que hoje em dia é conhecida por Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, apesar de existir até hoje, só foi Academia Imperial até a morte de Montigny em 1850.

Porque essa Missão foi importantíssima para o Brasil

Sem dúvida nenhuma, se a Missão não trouxesse modernidade ao Brasil, poderíamos estar no Barroco ainda  (exagero), mas a verdade é que o neoclássico chegou aqui graças a Missão, os artistas depois de muitos esforços implantaram princípios estéticos no Brasil , e ainda colocaram um novo segmento de arte com a Academia, como prova disso vários artistas brasileiros magníficos saíram de lá ( Victor Meirelles, Rodolfo Amoedo, Henrique Bernardelli, Pedro Américo, Eliseu Visconti, Artur Timóteo da Costa, Belmiro de Almeida) e por incrível que pareça, mesmo com toda dificuldade acabaram também mudando idéias, como a revolta com a opressão da Igreja, e com saneamento e higienização, algo precário no Brasilna época. Desdenhada por uns, aplaudida por outros , sem sombra de dúvida a arte acadêmica, que se expandiu imensamente da segunda metade do século XIX até o início do seguinte, herdeira direta dos franceses repudiados e de seu sistema, foi o veículo formal de boa parte dos mais vigorosos monumentos da história da arte nacional de todos os tempos.